As UPAs Del Castilho e Engenho de Dentro, na Zona Norte do Rio, encerram o primeiro semestre de 2026 com avanços na organização dos processos assistenciais, qualificação das equipes, segurança do paciente e eficiência no uso dos recursos públicos. As unidades, administradas pela RioSaúde, atendem juntas mais de 24 mil pessoas por mês e trabalham com o desafio de garantir agilidade e qualidade em uma rede de urgência e emergência de alta demanda..
Na UPA Engenho de Dentro, a média é de aproximadamente 13 mil atendimentos mensais. A unidade atende uma população estimada em 150 mil habitantes e conta com 19 leitos distribuídos entre as salas de observação adulta, pediátrica e vermelha, além de estrutura para atendimento odontológico, exames de imagem, laboratório e demais serviços de apoio.
Já a UPA Del Castilho realiza mais de 11 mil atendimentos por mês e está inserida em um complexo de saúde que reúne diferentes serviços da rede municipal. A unidade beneficia uma população estimada em 545 mil habitantes e dispõe de 17 leitos nas salas amarela adulta, amarela pediátrica e vermelha.
Atendimento mais ágil e organização dos fluxos
Um dos principais indicadores acompanhados pelas duas unidades é o tempo de atendimento. Na UPA Engenho de Dentro, a gestão conseguiu manter o tempo médio em até 15 minutos no primeiro semestre.
Para Celísio Werneck, gerente da unidade, a manutenção desse resultado está diretamente relacionada à organização das equipes e dos fluxos assistenciais. “Um dos principais resultados que temos alcançado é justamente manter nosso tempo médio de atendimento em 15 minutos. A unidade tem uma procura muito alta pela facilidade de acesso e, mesmo assim, conseguimos manter uma escala médica e pediátrica constante, sem impacto para a população”.
A unidade também registrou redução no número de internações e no volume de exames laboratoriais realizados, a partir do acompanhamento dos indicadores e da avaliação dos processos assistenciais. A medida contribuiu para uma utilização mais racional dos recursos, sem comprometer a assistência.
Na UPA Del Castilho, 96% dos atendimentos avaliados ficaram dentro do padrão estabelecido para o intervalo entre a classificação de risco e o atendimento médico, acima da meta de 90%.
Para alcançar esses resultados, as unidades adotaram mecanismos de acompanhamento permanente da assistência, como safety huddles e rounds multidisciplinares, que permitem identificar riscos, gargalos e necessidades das equipes ao longo do plantão.
Protocolos para casos em que o tempo é decisivo
Na UPA Del Castilho, um dos avanços foi a qualificação dos protocolos voltados para condições tempo-dependentes, como infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC) e sepse.
O atendimento a pacientes com suspeita de IAM passou a contar com um fluxo mais ágil, com apoio do TeleEletro do InCor. Também foram fortalecidas as rotinas relacionadas à sepse e iniciadas ações de preparação para participação no Programa Angels, voltado à qualificação da assistência ao AVC.
Segundo Paula Souza, gerente da UPA Del Castilho, a organização desses fluxos muda diretamente a rotina das equipes e o atendimento oferecido ao paciente. “Quando conseguimos identificar precocemente um paciente com suspeita de infarto, AVC ou sepse, o protocolo pode ser iniciado imediatamente. Isso dá mais agilidade à tomada de decisão e aumenta a segurança do atendimento. O objetivo não é apenas atender mais, mas atender melhor e no tempo adequado”.
A UPA Engenho de Dentro também mantém como prioridade a atualização dos profissionais em temas críticos, incluindo reanimação cardiopulmonar, via aérea pediátrica, sepse, IAM e AVC.
Eficiência no uso dos recursos públicos
Além dos indicadores assistenciais, as duas unidades vêm adotando medidas de controle de consumo e redução de desperdícios.
Na UPA Engenho de Dentro, houve redução superior a 85% nos gastos relacionados ao lixo infectante, resultado obtido a partir de ações de conscientização, treinamento e monitoramento das equipes. Também foram registradas reduções superiores a 30% nos custos com alimentação transportada e de mais de 10% nas despesas com enxoval hospitalar.
A gestão também registrou redução no número de internações e no volume de exames laboratoriais, a partir do acompanhamento dos indicadores e da avaliação dos processos assistenciais.
Na UPA Del Castilho, o controle de materiais, medicamentos, contratos e serviços terceirizados também faz parte da rotina de gestão. A unidade acompanha os indicadores de consumo e busca identificar oportunidades de redução de desperdícios.
Segurança do paciente como rotina
As duas UPAs mantêm estruturas voltadas ao gerenciamento de riscos e à qualidade assistencial. Entre as comissões formalizadas estão a Comissão de Revisão de Óbitos, Comissão de Revisão de Prontuários, Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, Núcleo de Segurança do Paciente e Comissões de Ética Médica e de Enfermagem.
Na UPA Del Castilho, os indicadores de segurança são acompanhados de forma contínua. Na Engenho de Dentro, a gestão também aposta em ferramentas digitais para qualificar os processos. Foram desenvolvidas aplicações próprias para escala médica, regulação interna de leitos e passagem de plantão, substituindo controles manuais por acompanhamento em tempo real.
O acompanhamento desses indicadores permite identificar situações de risco e direcionar ações de melhoria para as equipes.
Equipes e qualificação profissional
O trabalho nas duas unidades também envolve investimento permanente na organização das equipes.
Na UPA Del Castilho, o quadro do primeiro semestre variou entre 233 e 247 colaboradores, incluindo médicos clínicos e pediatras, enfermeiros, técnicos de enfermagem, técnicos de radiologia, agentes de portaria, recepcionistas e maqueiros.
Na UPA Engenho de Dentro, o quadro assistencial inclui 55 médicos clínicos, 27 pediatras, cerca de 30 enfermeiros e mais de 50 técnicos de enfermagem, além de profissionais de odontologia, farmácia, radiologia, serviço social e áreas administrativas.
Segundo Waldeck, a maior estabilidade e experiência da equipe médica também contribuíram para os resultados registrados em 2026. “No ano passado tivemos muitos médicos novos, recém-formados. Este ano estamos com uma categoria mais madura, com profissionais mais treinados e capacitados. Isso fez uma grande diferença no primeiro semestre. Nossa vacância médica está bastante reduzida e não tem causado impacto perceptível para a população”.
Na Del Castilho, a educação permanente também integra a estratégia de gestão.
Próximos passos
Para os próximos meses, as duas unidades têm entre as prioridades a redução contínua dos tempos de espera, o aperfeiçoamento dos fluxos internos, o fortalecimento dos protocolos de IAM, AVC e sepse e a ampliação das ações de segurança do paciente.
Na UPA Del Castilho, entre as prioridades estão a continuidade dos treinamentos, o acompanhamento dos indicadores e as adequações estruturais necessárias para a habilitação da unidade pelo Ministério da Saúde.
“Nos próximos meses, queremos consolidar ainda mais uma gestão baseada em indicadores, segurança e experiência do usuário. O desafio é fazer com que cada melhoria de processo chegue à ponta e seja percebida por quem procura a unidade”, afirma Paula Souza.
Na Engenho de Dentro, a gestão pretende avançar na adequação da Central de Material e Esterilização às normas vigentes, concluir a construção da casa de bombas, padronizar a passagem de plantão e ampliar os treinamentos das equipes. Também estão previstas melhorias na sala de medicação.
“Nosso desafio é transformar os indicadores em melhoria real na ponta da assistência: menos espera, fluxos mais eficientes, identificação precoce dos casos graves, maior segurança, melhor comunicação e maior resolutividade”, resume Werneck.
A prestação de contas do primeiro semestre mostra que administrar uma UPA vai além de manter as portas abertas. Envolve acompanhar cada etapa do atendimento, qualificar profissionais, controlar recursos, identificar riscos e corrigir processos. O resultado esperado é uma assistência cada vez mais organizada, segura e resolutiva para quem procura o SUS.
Jornalista: Erika Junger
Imagem: Cícero Sydrônio












