Celebrado em 29 de janeiro, o Dia Nacional da Visibilidade Trans reforça a luta por direitos, respeito e inserção digna no mercado de trabalho. Para marcar a data, a RioSaúde destaca a história de Ana Flávia Pereira, de 35 anos, maqueira da rede pública de saúde, cuja trajetória simboliza resistência, superação e a conquista de um espaço profissional onde a identidade de gênero é respeitada.
A história de Ana Flávia é marcada pelo cuidado e pela responsabilidade desde cedo. A mais velha de cinco irmãos, cresceu sob uma disciplina rígida e, aos 14 anos, precisou assumir o papel de cuidadora da família em razão de problemas de saúde enfrentados pelos pais. “Fiz meu papel de cuidar dos meus irmãos e deixá-los encaminhados e bem”, recorda, orgulhosa de vê-los hoje como cidadãos formados.
O caminho para sua própria afirmação como mulher trans, no entanto, foi permeado por silenciamentos e preconceitos. Há cerca de 15 anos, quando começou a compreender sua identidade de gênero, o cenário social era ainda mais hostil. “O mundo era bem diferente. Não havia entendimento sobre nós; o que existia era preconceito e agressão”, relembra.
Barreiras no mercado de trabalho
A transição trouxe obstáculos severos para sua trajetória profissional. Durante anos, Ana Flávia precisou esconder quem era para conseguir uma oportunidade de emprego. Em entrevistas, usava roupas masculinas por medo da rejeição. “Eu chegava à porta da empresa e via profissionais e candidatos rindo. Era uma humilhação”, relata, ao recordar um período em que a exclusão era regra.
A virada aconteceu com sua entrada na RioSaúde. Atualmente, atuando como maqueira na rede municipal, Ana Flávia celebra não apenas a estabilidade profissional, mas, sobretudo, a dignidade de ser chamada pelo seu nome e reconhecida pelo seu trabalho. Para ela, o ambiente hospitalar da rede pública representa um espaço de acolhimento e respeito.
“Pela primeira vez, me sinto plenamente respeitada em um ambiente de trabalho”, afirma. Sua atuação na linha de frente da saúde pública do Rio de Janeiro reforça a importância de políticas institucionais de diversidade, inclusão e respeito aos direitos humanos.
Jornalista: Marcelle Corrêa












