Central acompanha 420 leitos 24 horas por dia e reforça a segurança dos pacientes; tecnologia deve ser expandida (foto: Vinícius Ferreira/RioSaúde)
Na sala de controle do Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, a atenção não dorme. Telas acesas acompanham, dia e noite, batimentos, respiração, movimentos e rotina de quem está internado. O monitoramento assistencial 24 horas, implantado recentemente na unidade, inaugura uma nova etapa no cuidado hospitalar da rede municipal, com foco na prevenção de riscos e na resposta rápida a qualquer alteração no estado do paciente.
Gerido pela RioSaúde, o Gazolla abriga hoje uma das maiores centrais de monitoramento assistencial da rede pública do país. Os 420 leitos do hospital estão conectados, em tempo real e de forma ininterrupta, a um sistema que acompanha sinais vitais como pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura, frequência respiratória e saturação de oxigênio, garantindo vigilância contínua para mais de 400 pacientes.
O uso estratégico dessa tecnologia oferece mais agilidade e precisão ao cuidado, reduzindo significativamente o tempo de resposta das equipes médicas. Qualquer alteração nos parâmetros pré-estabelecidos gera alertas imediatos na sala de controle, explica o presidente da RioSaúde, Roberto Rangel.
Além do acompanhamento clínico, o hospital conta com cerca de 800 câmeras distribuídas pelo complexo, incluindo equipamentos instalados individualmente nos leitos. O sistema integrado organiza as ocorrências em quatro níveis de prioridade crítico, alta gravidade, moderado e baixa complexidade e alimenta um painel usado nos safety huddles, reuniões diárias em que equipes multidisciplinares analisam riscos, definem prioridades e refoçam práticas de segurança. Segundo Sormane Mattos, coordenador-geral de Emergência da Area Programática 3.3 da Secretaria municipal de Saúde, o uso das imagens representa uma mudança concreta na rotina assistencial.
– Conseguimos nos antecipar a possíveis incidentes ao identificar situações de risco iminente. Observamos o uso correto de equipamentos de proteção individual (EPIs), a posição do paciente no leito, a sinalização adequada e, principalmente, o risco de quedas, afirma.
Na prática, a vigilância constante traz mais tranquilidade para os familiares. A dona de casa Elienete de Souza, de 59 anos, acompanha o marido internado desde agosto para tratamento de problemas pulmonares e cardíacos e relata um episódio em que a tecnologia fez a diferença.
– Pelas câmeras, a equipe percebeu que ele se mexia muito e veio imediata mente ao leito para evitar uma queda. Mesmo estando ao lado dele, eu não tinha percebido o risco. A segurança do paciente realmente vem em primeiro lugar, conta.
O modelo de monitoramento assistencial 24 horas implantado no Gazolla já serve de referência para a ampliação da estratégia na rede municipal. A RioSaúde planeja expandir o sistema de vigilância contínua para outras unidades, incluindo UPAs, a partir deste ano.
– A tecnologia aplicada à saúde pública permite unificar controle, segurança e agilidade no atendimento. Nosso objetivo é levar esse padrão de cuidado para outras unidades, garantindo mais eficiência e proteção para toda a população carioca – afirma Rangel.
Jornalista: Marcelle Corrêa












