
Durante o ano, Eduardo de Almeida, 36 anos, garante o pleno funcionamento dos sistemas de informática na Maternidade da Rocinha. No carnaval, porém, ele troca os computadores pelo flautim, tornando-se um dos muitos profissionais da rede que fazem da folia de rua uma extensão da própria identidade. Integrante do time RioSaúde há um ano e oito meses, o técnico em TI vive uma rotina que equilibra tecnologia, serviço público e musicalidade. Se no setor de Tecnologia da Informação ele é peça fundamental para a operação diária da unidade, fora do expediente é no asfalto, entre fantasias e multidões, que encontra sua grande paixão.
Sua estreia ocorreu em 2016, no bloco Vem Cá, Minha Flor. Flautista experiente, no carnaval Eduardo enfrentou o desafio de tocar sem partituras: “Decorar dezenas de músicas exigiu dedicação. Foi um processo intenso, mas muito divertido”, conta. Ao longo dos anos, ele passou a integrar blocos tradicionais e alternativos, como Céu na Terra, Cordão do Boitatá, Boi Tolo e Bloco Cordão da Bola Laranja, onde é um dos fundadores. Somente no último domingo(8), se apresentou em três deles, durante o pré-carnaval carioca.
Para Eduardo, a celebração começa muito antes dos desfiles. Os ensaios e a confecção coletiva das fantasias são parte essencial da experiência. “Sentar com os amigos para produzir chapéus e adereços é algo especial”, diz. Um capítulo à parte é o apoio da mãe, sua fiel escudeira nas aventuras carnavalescas: “Ela sempre embarcou nas minhas loucuras, costurando fantasias e acreditando nas ideias mais improváveis”.
No dia dos desfiles, toda essa preparação ganha sentido. “É hora de viver o que foi criado. É diversão, emoção e troca”, descreve. Para o técnico, a resposta do público é o ponto alto: “Nós contagiamos e nos emocionamos com os foliões. O carinho das pessoas é simplesmente indescritível. Já teve um ano que andei por 20 km durante a apresentação do Boi Tolo”.

Jornalista: Marcelle Corrêa
Fotos: Cícero Sydrônio












