Entre plantões, atendimentos e o cuidado diário com a população, alguns profissionais da RioSaúde encontram no Carnaval uma poderosa fonte de energia, pertencimento e alegria. Na Marquês de Sapucaí, eles trocam o jaleco pela fantasia e mostram que saúde e cultura caminham juntas, dentro e fora da avenida.
É o caso da enfermeira Louise Taiane de Souza, de 46 anos, moradora de Campo Grande e profissional da RioSaúde desde 2020, atualmente lotada na UPA Madureira. Apaixonada pelo samba desde a infância, Louise carrega no sangue a tradição carnavalesca herdada da mãe, que foi passista do Cacique de Ramos.
“Minha primeira escola foi a Mocidade, por ser moradora da Zona Oeste, mas fui apresentada à Beija-Flor pelo muso do carnaval carioca Everton Chocolatty. Foi amor à primeira vista”, conta. Louise já desfilou por escolas como Unidos da Tijuca, Unidos de Padre Miguel e Beija-Flor de Nilópolis. Hoje, ela ocupa um lugar de destaque: sai no abre-alas da Azul e Branco, escola que define como “um verdadeiro rolo compressor quando passa na avenida”.
Para ela, o Carnaval vai muito além do espetáculo. “É identidade, força e emoção. Estar na Sapucaí também me fortalece para seguir cuidando das pessoas no dia a dia da saúde”, afirma.
Outro exemplo dessa conexão entre saúde e samba é o médico Dener Cruz Soldati, de 36 anos. Gaúcho, morador da Barra da Tijuca, ele atua como médico plantonista na UPA Sepetiba há quase seis anos. Dener encontrou no samba um recomeço.
Após enfrentar um período de luto pela perda da mãe, no fim de 2021, Dener foi convidado por um amigo a conhecer a quadra da Beija-Flor, escola que já admirava à distância desde a infância. “Quando entrei na quadra e senti a energia do samba e da comunidade, algo mudou. Meus dias cinzas começaram a passar”, relembra.
O médico se emocionou ao ouvir, nos ensaios, o refrão do samba de 2018, ano do 14º título da escola: “mas o samba faz essa dor de dentro do peito ir embora”. A partir dali, entendeu o papel transformador do samba em sua vida e segue participando da escola todos os anos.
“Hoje, a Beija-Flor é minha religião e o samba é o combustível que deixa a vida mais leve. Tenho muito orgulho de fazer parte dessa família que é exemplo de comunidade, disciplina, solidariedade e representatividade”, destaca.

Jornalista: Marcelle Corrêa
Fotos: Cícero Sydrônio/RioSaúde e arquivos pessoais












