Uma plataforma baseada em inteligência artificial chegou ao Hospital do Andaraí, sob gestão municipal, para aprimorar o tratamento de lesões em pacientes internados na unidade. A iniciativa é resultado de uma parceria entre a RioSaúde e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
O projeto chamado Skin One identifica a gravidade e a natureza das lesões dos pacientes por meio do cruzamento de dados baseados no processamento de imagens. A ferramenta indica aos profissionais de saúde os protocolos a serem adotados para a cura e alta rápida dos pacientes. Através do projeto, serão beneficiados pacientes com síndrome de fournier, pés diabéticos, além de lesões por pressão, vasculares, ortopédicas e oncológicas. Além de apoiar o tratamento durante a internação, o sistema também contribui para o acompanhamento das lesões após a alta hospitalar, ampliando a continuidade do cuidado ao paciente.
Nesta fase inicial, o projeto passa por um processo de implantação piloto, que inclui o treinamento da comissão de curativos do hospital. Esses profissionais atuarão como agentes multiplicadores da tecnologia, garantindo a correta utilização da plataforma e a disseminação do conhecimento entre as equipes assistenciais.
A ferramenta foi desenvolvida no Laboratório de Engenharia de Software (LES) da universidade, unindo conhecimento acadêmico e prática assistencial. Segundo o idealizador da plataforma e pesquisador do LES/PUC-Rio, Antônio Benchimol, o projeto foi aperfeiçoado durante um período de dois anos no próprio laboratório e em hospitais do Rio e de São Paulo.
“No laboratório, trabalhamos com cenários controlados. No hospital, enfrentamos a urgência e a complexidade do dia a dia. Essa imersão nos permitiu amadurecer o Skin One, tornando-o não apenas um software inteligente, mas uma ferramenta robusta e fácil de usar por profissionais que não podem perder tempo”, conta.
Ele explica que, para alcançar com precisão o diagnóstico através da inteligência artificial, é utilizada uma robusta base de dados clínicos. “Essas bases treinam nossas redes neurais, ensinando o computador a identificar padrões que, por vezes, passam despercebidos ao olho humano cansado. O Skin One está em um ciclo de aprendizado contínuo (machine learning). Mais do que substituir o olhar humano, nossa meta é eliminar a subjetividade. Enquanto dois profissionais podem ter interpretações diferentes de uma ferida, o algoritmo oferece um padrão objetivo, elevando a acurácia global e a segurança do paciente”, completa.
Para a Diretoria de Governança e Tecnologia (DGOVI), soluções baseadas em inteligência artificial representam um avanço estratégico na qualificação da assistência hospitalar. Segundo Douglas Souto, diretor da DGOVI, a tecnologia contribui diretamente para a tomada de decisão clínica, amplia a segurança do paciente e fortalece a atuação das equipes de saúde, além de preparar a rede municipal para a expansão de modelos inovadores de cuidado.
“A principal importância do uso de uma plataforma de inteligência artificial está no suporte à decisão clínica. A IA atua como uma ferramenta de precisão, padronizando a avaliação da gravidade das lesões, eliminando a subjetividade e reforçando a segurança do paciente. Com isso, as equipes conseguem agir de forma ágil e assertiva, baseando suas condutas em dados concretos e não apenas na percepção visual.”, destaca.
Ele complementa que o planejamento já prevê a expansão do projeto para outras unidades, como o Centro de Emergência Regional da Barra e o Hospital Ronaldo Gazolla, que é referência em alta complexidade. “Essa ampliação é fortalecida pela parceria técnico-científica com a PUC-Rio, que une o conhecimento acadêmico à prática hospitalar, garantindo uma solução escalável, segura e em constante evolução tecnológica.”
Profissionais recebem treinamento na plataforma Skin One (Foto: Paulo Torres/RioSaúde)
Jornalista: Marcelle Corrêa
Fotos: Paulo Torres/RioSaúde












